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⚡ Guia Técnico — NBR 5410

Padrão de Entrada Elétrica Residencial: Guia Completo

Monofásico, bifásico ou trifásico — como escolher, dimensionar e instalar conforme a concessionária

📅 Junho 2026 13 min de leitura 📐 NBR 5410 / NBR 14039 🎯 Nível: Intermediário

Monofásico suporta até 8 kW, bifásico até 15 kW — acima disso, o padrão necessário é trifásico. O padrão de entrada é o conjunto de equipamentos instalados no limite da propriedade que recebe energia da concessionária, passa pelo medidor e alimenta o quadro de distribuição interno. Cada concessionária tem normas próprias de material e instalação, mas todas partem da NBR 5410 e da NBR 14039 como base. Neste guia você vê como escolher o tipo certo, o que instalar e os erros que reprovam na vistoria.

01 — CONCEITO

O Que É o Padrão de Entrada Elétrica

O padrão de entrada (também chamado de padrão de energia ou entrada de serviço) é o conjunto de equipamentos e condutores instalados no limite da propriedade para receber a energia da concessionária. Ele divide responsabilidades:

TrechoNome técnicoResponsável
Poste da rua até o medidor Ramal de ligação Concessionária
Medidor (relógio) Medidor de energia Concessionária (fornece e sela)
Caixa de medição Caixa padrão Proprietário (instala e mantém)
Medidor até o QD interno Ramal de entrada Proprietário (instala e mantém)
Quadro de distribuição (QD) QD / Quadro geral Proprietário (instala e mantém)
⚡ Nunca toque no ramal de ligação — os fios que vêm do poste até o medidor são de responsabilidade da concessionária e estão sempre energizados, mesmo com o disjuntor geral desligado.

Entrada aérea x entrada subterrânea

A maioria das residências usa entrada aérea (fios suspensos do poste). Condomínios, loteamentos novos e prédios usam entrada subterrânea (cabo enterrado ou em duto). A lógica de dimensionamento é a mesma — a diferença está nos materiais e nas alturas mínimas exigidas pela concessionária.

02 — ESCOLHA DO TIPO

Monofásico, Bifásico ou Trifásico — Como Escolher

A escolha parte do levantamento de cargas da instalação. Some a potência de todos os equipamentos que podem funcionar simultaneamente e aplique a tabela:

Tipo de entradaFasesCarga típicaAmperagem usual
Monofásico 1F + N Até 8 kW 25 A / 40 A / 50 A
Bifásico 2F + N 8 kW a 15 kW 2 × 40 A / 2 × 50 A
Trifásico 3F + N Acima de 15 kW 3 × 40 A / 3 × 50 A / 3 × 63 A
Exemplo — Casa de 3 quartos com ar-condicionado:
  1. 2 ar-condicionados 12.000 BTU (220V): 2 × 1.200 W = 2.400 W
  2. Chuveiro elétrico 220V (7.500 W): 7.500 W
  3. Geladeira + microondas + iluminação: ~1.500 W
  4. Total simultâneo estimado: 11.400 W
⚡ 11,4 kW está entre 8 e 15 kW → padrão bifásico é o correto para essa instalação

Tensão: 127 V ou 220 V?

A tensão do padrão de entrada depende da rede da concessionária na sua região — você não escolhe. Regiões atendidas por redes 127/220 V entregam 127 V fase-neutro. Regiões em processo de modernização entregam 220 V fase-neutro. Verifique com a concessionária local antes de projetar.

⚠️
A concessionária pode exigir entrada bifásica ou trifásica mesmo que sua carga calculada seja menor, por critério de rede. Sempre consulte o manual de obras da sua distribuidora antes de executar o padrão.

Quando o trifásico é obrigatório mesmo com carga baixa

Equipamentos específicos — motores de bomba acima de 3 CV, ar-condicionado de precisão, câmaras frigoríficas — exigem alimentação trifásica independente da carga total. Verifique a plaqueta de cada equipamento antes de definir o tipo de entrada.

Calcule a carga total da sua instalação

Some os equipamentos e descubra qual amperagem e tipo de entrada você precisa.

Usar Calculadora de Cabos →
03 — COMPONENTES

Componentes Obrigatórios do Padrão de Entrada

Os itens abaixo são exigidos pela maioria das concessionárias brasileiras para entrada aérea residencial. Confirme os detalhes no manual de obras da sua distribuidora — especificações de caixa, altura e bitola variam por região.

ComponenteEspecificação típicaObservação
Caixa de medição Padrão da concessionária (IEC ou ABNT) Comprada pelo proprietário, selada pela concessionária
Eletroduto de entrada PVC rígido Ø 1" a 2" (conforme bitola dos cabos) Curva de 180° na ponta (boca de saída para baixo)
Condutor do ramal de entrada Cabo de cobre com isolação 0,6/1 kV Bitola conforme corrente + queda de tensão admissível
Haste de aterramento Cobre revestido Ø 5/8" × 2,4 m Enterrada verticalmente, resistência ≤ 25 Ω (NBR 5410)
Condutor de proteção (terra) Mínimo 10 mm² cobre Liga haste ao barramento de terra do QD
Disjuntor geral (no QD) Bipolar ou tripolar, conforme tipo de entrada Amperagem ≥ amperagem do padrão de entrada
Fixação do ramal aéreo Esticador ou gancho isolado Altura mínima 5 m sobre solo / 7 m sobre via de veículos
🚨
Caixas de medição sem certificação da concessionária são rejeitadas na vistoria. Antes de comprar, pesquise no site da sua distribuidora quais modelos são homologados para a sua região. Uma caixa errada significa retrabalho completo.

Aterramento do padrão de entrada

A haste de aterramento (eletrodo de terra) deve ser instalada o mais próximo possível do quadro de distribuição. A resistência medida com terrômetro deve ser de no máximo 25 Ω segundo a NBR 5410 — em solos com resistividade alta (areia, rocha), pode ser necessário usar duas hastes em série ou adicionar malha de aterramento.

04 — DIMENSIONAMENTO

Como Dimensionar o Ramal de Entrada

O ramal de entrada (do medidor ao QD) deve ser dimensionado para a corrente máxima do padrão contratado com um limite de queda de tensão de 1% segundo a NBR 14039 (instalações elétricas de média tensão).

CORRENTE DO RAMAL DE ENTRADA
I = P ÷ (V × FP)
I = corrente (A) P = potência total (W) V = tensão (220 V monofásico / 380 V trifásico) FP = fator de potência (usar 0,92 para residencial)
Amperagem do padrãoBitola mínima do ramal (cobre)Tipo de entrada
Até 25 A 6 mm² Monofásico
Até 40 A 10 mm² Monofásico ou Bifásico
Até 50 A 16 mm² Monofásico ou Bifásico
Até 63 A 25 mm² Bifásico ou Trifásico
Até 100 A 50 mm² Trifásico
⚠️
A tabela acima é referência geral baseada na NBR 5410 para instalação em eletroduto embutido. Para ramais expostos, enterrados ou em condições especiais de temperatura, o dimensionamento deve ser recalculado com os fatores de correção da norma.

Distância entre medidor e QD

Quanto maior a distância, maior a queda de tensão no ramal. Se o medidor estiver a mais de 15 metros do QD, recalcule a bitola para manter a queda dentro do limite de 1%. Use a calculadora de queda de tensão para verificar.

Para ramais longos (acima de 20 m), é comum e necessário aumentar uma bitola acima da tabela padrão para compensar a resistência do condutor.

05 — ERROS COMUNS

Erros Que a Concessionária Rejeita na Vistoria

A concessionária faz vistoria antes de ligar o medidor. Esses são os erros que mais reprovam e que causam atraso de semanas na ligação:

ErroConsequência
Caixa de medição não homologada ✗ Reprovação — trocar a caixa inteira
Eletroduto com bitola insuficiente para os cabos ✗ Reprovação — refazer passagem
Altura do ponto de entrada abaixo de 5 m ✗ Reprovação — reposicionar ponto
Ausência de haste de aterramento ✗ Reprovação — instalar e medir resistência
Condutor de entrada sem bitola adequada ✗ Reprovação — refazer ramal
Falta de curva na saída do eletroduto (boca virada para cima) ⚠ Restrição — água penetra e oxida conexões
Documentação incompleta (falta ART quando exigida) ⚠ Pendência — vistoria não agendada até regularizar
⚡ Consulte o manual de obras da sua concessionária ANTES de comprar qualquer material. Cada distribuidora (CEMIG, CPFL, Enel, Energisa, Equatorial…) tem modelos de caixa homologados diferentes — o que funciona em Minas não necessariamente funciona em São Paulo.

ART: quando é obrigatória?

A Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) do CREA é exigida pela maioria das concessionárias para ligações novas acima de determinada potência (geralmente acima de 7,5 kW ou para entradas bifásicas e trifásicas). Em alguns casos, é exigida para qualquer ligação nova, independente da potência. O eletricista responsável deve ser habilitado (possuir registro no CREA ou anotação equivalente no CFT para técnicos de nível médio).

06 — SOLICITAÇÃO

Como Solicitar Ligação Nova ou Upgrade de Carga

Ligação nova (imóvel sem energia)

  1. Instale o padrão de entrada conforme o manual da concessionária
  2. Reúna a documentação: formulário, documento do imóvel, documento pessoal do titular, ART (quando exigida)
  3. Abra a solicitação no site ou app da concessionária
  4. Aguarde o agendamento da vistoria (prazo varia por concessionária — geralmente 5 a 30 dias úteis)
  5. Na vistoria, o técnico confere o padrão e instala o medidor
  6. A ligação ocorre em seguida ou em até 48 horas

Upgrade de carga (aumentar amperagem ou mudar de monofásico para bifásico)

O processo é similar, mas pode exigir adequação do padrão físico (nova caixa, novo ramal, nova haste). Avise a concessionária sobre o upgrade antes de executar a obra — em alguns casos, é possível fazer o upgrade em conjunto com a vistoria de adequação, evitando duas visitas.

O padrão de entrada correto é o que suporta a demanda atual com folga para crescimento futuro — e que passa na vistoria da concessionária sem retrabalho.

Ligação em condomínio ou multiusuário

Em condomínios, o padrão de entrada coletivo é instalado no limite do terreno, e cada unidade tem seu próprio medidor individual (ramais individuais). O projeto elétrico residencial deve prever o dimensionamento de cada ramal individual e o ramal geral do condomínio.

07 — DÚVIDAS FREQUENTES

Perguntas Frequentes

Como saber se minha casa precisa de entrada monofásica, bifásica ou trifásica?

Faça o levantamento de cargas: some a potência de todos os equipamentos que funcionam ao mesmo tempo. Até 8 kW → monofásico. De 8 a 15 kW → bifásico. Acima de 15 kW ou com equipamentos trifásicos → trifásico. A concessionária também pode exigir bifásico ou trifásico por critério de rede, independente da carga calculada.

Qual a diferença entre padrão de entrada 127 V e 220 V monofásico?

No monofásico 127 V, a tensão entre fase e neutro é 127 V — comum em redes antigas. No monofásico 220 V, a tensão fase-neutro é 220 V, permitindo a mesma potência com metade da corrente e cabos menores. A tensão depende da rede da concessionária na sua região — você não escolhe, recebe o que a rede oferece.

O que é o ramal de ligação e quem é responsável por ele?

O ramal de ligação é o trecho de condutores que vai do poste da concessionária até o medidor na sua propriedade. A instalação e manutenção é responsabilidade da concessionária — você não pode tocar nesses fios. O ramal de entrada (do medidor para dentro) é responsabilidade do proprietário.

Posso aumentar a amperagem do padrão de entrada sem refazer toda a fiação interna?

Depende. Se só mudar a amperagem dentro do mesmo tipo (ex: monofásico de 40A para 63A), pode ser necessário apenas aumentar o cabo do ramal de entrada e o disjuntor geral. Se mudar de tipo (monofásico para bifásico), são mais alterações: novo medidor, nova caixa, novo ramal. A fiação interna pode ou não precisar de alteração.

Quais documentos são necessários para solicitar ligação nova à concessionária?

Em geral: formulário de solicitação de ligação (no site da concessionária), documento do imóvel (IPTU, matrícula ou contrato), documento de identidade do titular, e ART de eletricista habilitado para instalações acima de determinada potência. Os requisitos variam por concessionária — consulte o site da sua distribuidora local.

Faça o levantamento completo da sua instalação

Use o assistente de projeto elétrico para mapear circuitos, cargas e dimensionar o quadro correto.

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